Biografia
Vasco Paiva,
Natural da Senhora da Hora, Matosinhos. Vive em Coimbra.
Engenheiro Florestal (UTAD), Mestre em Recursos Florestais (UTAD).
Participou activamente na luta antifascista. Foi dirigente associativo no Movimento
Juvenil de Ajuda Fraterna (MOJAF), na Associação de Estudantes da Faculdade de
Ciências da Universidade do Porto e no Movimento da Juventude Trabalhadora (MJT).
Membro do PCP desde 1969, passou à clandestinidade como funcionário em 1972,
mantendo-se como funcionário até 1994.
Quer antes quer depois da revolução, participou em diversos organismos dirigentes do
PCP, tendo sido membro do Comité Central (CC) de 1976 a 2000, de diversas Direcções
Regionais (Beiras, Beira Litoral, Trás-os-Montes e Vila Real), do Conselho Nacional e da
Comissão Executiva.
Acompanhou as lutas dos povos dos baldios e dos agricultores a partir 1973, tendo
sido membro da Comissão Junto do CC do PCP para os Pequenos e Médios Agricultores
até 1988.
Enquanto Engenheiro Florestal, trabalhou como técnico de análise de projectos e, a
partir de 2000, especialista na produção de plantas em viveiro em Portugal e
Moçambique. Consultor, a partir de 2020, com projectos na Etiópia e Angola.
Foi Assistente convidado, por diversas vezes, na Escola Superior Agrária/Instituto
Politécnico de Coimbra.
Publicou “Na outra margem do tempo” (edição Campo das Letras, 2006), “Crónicas de
um Tempo Novo” (edição Lápis de Memórias, 2014), “O Despertar das Montanhas”
(edição Lápis de Memórias, 2020), “O Desbravar dos Caminhos (edição Lápis de
Memórias, 2023). Tem colaboração dispersa por várias publicações científicas, técnicas
e literárias.
A Academia das Ciências de Lisboa atribui-lhe o Prémio de História Júlio Fogaça 2023,
pela obra O Desbravar dos Caminhos.
Excertos do Prefácio
“Este livro abre para um horizonte ainda oculto e quase desconhecido: as lutas, os
movimentos e as organizações das famílias agricultoras, a norte do Tejo, nos primeiros
anos (1974/78) da democratização do país, depois do 25 de Abril.
É um texto que, como é bem vincado logo nas primeiras páginas, decorre da vivência
do seu Autor no sector do “trabalho camponês” do Partido Comunista Português,
tanto a nível nacional, como, em especial, nas Beiras. O seu empenho no trabalho com
a agricultura familiar era, de resto, já anterior a Abril de 1974, tendo, ainda nos anos
do Estado Novo acompanhado, na clandestinidade, as lutas que ocorreram na região
da bacia do rio Vouga e das quais lhe devemos um excelente relato e análises muito
esclarecedoras 1 .
(…)
O Desbravar dos Caminhos é um livro fundamentado e importante, tanto pelo
horizonte que revela, do panorama das associações e lutas dos agricultores familiares
nos anos 1974/78, como pelos ensinamentos que evidencia sobre a autonomia e
independência das organizações e lutas no mundo da agricultura familiar.”
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