2017-07-21, sexta-feira, 18h30:

Lançamento do livro "tardio", de rosa oliveira, com apresentação de Helena Caspurro e José Geraldo


«Um poeta português escreveu que "ainda não é o fim nem o princípio do mundo calma é apenas um pouco tarde". Logo no título, e depois no texto inicial, a segunda colectânea de poemas de Rosa Oliveira questiona a recepção do livro anterior, catalogado como "tardio". Quem sabe ou que é ou não tardio, que tempo ainda nos está destinado? Um certo tom áspero é confirmado pelas sucessivas citações e alusões: as "nasty songs" de Dylan, os símios de Kafka, a Bovary entediada, os case studies de Freud, a incompreendida professora Brodie, a veemente Gena Rowlands. Sarcásticos, os poemas invocam grandes figuras da "teoria", Bakhtin et caterva, que parecem estar na origem de uma certa ideia de desencantamento do mundo. E determinados "rapazes" transformam-se em alvo de uns quantos "ditos enigmáticos" e "ironias amargas" que Rosa Oliveira foi buscar a O’Neill. Os poemas de Tardio querem-se cépticos, de "alto saturno"; mas são também lúdicos nos achados verbais, "sentimentais" ... nas evocações domésticas, descritivos mesmo quando cifrados: "não podemos ir além da descrição".» - Pedro Mexia
Prémio Pen Clube, Primeira Obra, para Cinza, publicado em 2013 pela Tinta-da-china.

Rosa Oliveira

Nasceu em Viseu, em 1958. Publicou os ensaios «Paris 1937» e «Tragédias Sobrepostas: Sobre "O Indesejado" de Jorge de Sena». Foi leitora na Universidade de Barcelona e é professora no ensino superior politécnico. «Cinza», o seu primeiro livro de poesia (Tinta-da-china, 2016), foi galardoado com o Prémio PEN Clube, Primeira Obra. Actualmente, vive em Coimbra com o filho.

Helena Caspurro

www.helenascpurro.pt

É pianista, cantora, compositora e letrista num género jazzístico e de fusão, tendo editado três CD de originais que apresentou em várias salas de espetáculo do país, Mulher Avestruz (2003), Colapsopira (2009) e Paluí (2013), este último CD Antena 1, comemorativo dos 40 anos da UA, estando presentemente a trabalhar num novo álbum que espera lançar em 2018.

Natural do Porto, onde vive, é Professora Auxiliar na Universidade de Aveiro, membro do INET-md (Instituto de Etnomusicologia - Centro de Estudos em Música e Dança) e colaboradora do CESEM (Centro de Estudos de Sociologia e Estética Musical), tendo também lecionado na Escola Superior de Educação da Guarda e de Coimbra, bem como na Universidade Nova de Lisboa. Da sua atividade como musicista e pedagoga destaca-se o estudo sobre improvisação e compreensão musical, pioneiro no país, do qual resultou a sua dissertação de doutoramento bem como vários workshops dentro e fora do país, a composição e liderança de espetáculos cénicos para crianças e professores realizados na Casa da Música, e, ainda, o trabalho multidisciplinar dedicado ao desenvolvimento da Língua Portuguesa através da Música, este último recentemente implementado nos nove Agrupamentos de Escolas de Santa Maria da Feira, em colaboração estreita com o Município desta cidade, a partir do seu último CD, Paluí, onde participaram mais de seiscentas crianças e do qual resultou um livro que será lançado no mercado em novembro próximo.

José Geraldo

José Geraldo, nasceu em 1960. Desde 1984 que se dedica profissionalmente ao teatro e às artes de palco, sobretudo como encenador, actor e escritor; mas também como performer, narrador oral, leitor, músico, desenhador de luz e espaços cénicos ou sonoplasta. Fundou em 1995 a “Efémero - Companhia de Teatro de Aveiro” (onde fez de tudo um pouco) e, em Coimbra, a companhia de teatro “Encerrado para Obras” (encenador, dramaturgo). Em 2000 funda, em Coimbra, onde vive, a associação cultural “Camaleão” onde tem desenvolvido parte do seu trabalho, cada vez mais pluridisciplinar.
No Porto, trabalhou como encenador na Casa da Música (“Flatland”, 2010 e 2011) e como actor e encenador com a Companhia de Teatro Panmixia (2008-2009).
Tem uma licenciatura em Direito (tendo feito estágio de advocacia, sem nunca chegar a exercer), uma pós-graduação em Ciências Documentais (área em que nunca trabalhou profissionalmente), uma especialização em Estudos de Teatro, um mestrado em Texto Dramático e um doutoramento em Materialidades da Literatura, com uma tese sobre os modos de dizer poesia em Portugal, a partir da análise das gravações em disco. Desde 1997 que lecciona na Universidade de Aveiro (Departamento de Comunicação e Arte) onde também já encenou várias obras musicais. Da sua obra dramática publicada destaca: “Uma Arca de Vento” (Aveiro: Efémero Edições, 1997); “Mitos Clássicos na Poesia Portuguesa Contemporânea” (Conimbriga: Liga de Amigos de Conimbriga, 2000 - 1º edição, 2001 - 2ª edição); “Inesperadamente, na continuação ou Férias de verão no BarBearia com Elizabete” - Grande Prémio Inatel do Concurso Inatel / Teatro - Novos Textos 2004 (Lisboa: Inatel, 2005). Recentemente publicou o artigo “Dizer a poesia de Carlos de Oliveira: Maria Barroso e Manuela Porto” na revista “Colóquio Letras” nº 195 (Fundação Calouste Gulbenkian, Maio de 2017, p. 49-60).


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